sábado, 18 de maio de 2013

Pentecoste


O envio do Espírito Santo
Ao dar a seus discípulos poder para que fizessem os homens renascer em Deus, o Senhor
lhes disse: Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19)
Deus prometera, por meio dos profetas, que nos últimos tempos derramaria o seu Espírito
sobre os seus servos e servas para que recebessem o dom da profecia. Por isso, o Espírito
Santo desceu sobre o Filho de Deus, que se fez Filho do homem, habituando-se com ele a
conviver com o gênero humano, a repousar sobre os homens e a morar na criatura de Deus.
Assim renovava os homens segundo a vontade do Pai, fazendo-os passar da sua antiga
condição para a vida nova em Cristo.
São Lucas nos diz que esse Espírito, depois da ascensão do Senhor, desceu sobre os
discípulos no dia de Pentecostes, com o poder de dar a vida nova a todos os povos e de
fazê-los participar da Nova Aliança. Eis por que, naquele dia, todas as línguas se uniram no
mesmo louvor de Deus, enquanto o Espírito congregava na unidade as raças mais diferentes
e oferecia ao Pai as primícias de todas as nações.
Foi por isso que o Senhor prometeu enviar o Paráclito, que os tornaria capazes de receber a
Deus. Assim como a farinha seca não pode, sem água, tornar-se uma só massa nem um só
pão, nós também, que somos muitos, não poderíamos transformar-nos num só corpo, em
Cristo Jesus, sem a água que vem do céu. E assim como a terra árida não produz fruto se não for regada, também nós, que éramos antes como uma árvore ressequida, jamais
daríamos frutos de vida, sem a chuva da graça enviada do alto.
Com efeito, nossos corpos receberam, pela água do batismo, aquela unidade que os torna
incorruptíveis; nossas almas, porém, a receberam pelo Espírito.
O Espírito de Deus desceu sobre o Senhor como espírito de sabedoria e discernimento,
espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e de temor de Deus (Is 11,2). É este
mesmo Espírito que o Senhor por sua vez deu à Igreja, enviando do céu o Paráclito sobre
toda a terra, daquele céu de onde também Satanás caiu como um relâmpago (cf. Lc 10,18).
Por esse motivo, temos necessidade deste orvalho da graça de Deus para darmos fruto e não
sermos lançados ao fogo, e para que também tenhamos um Defensor onde temos um
acusador. Pois o Senhor confiou ao Espírito Santo o cuidado da sua criatura, daquele
homem que caíra nas mãos dos ladrões e a quem ele, cheio de compaixão, enfaixou as
feridas e deu dois denários reais. Tendo assim recebido pelo Espírito a imagem e a
inscrição do Pai e do Filho, façamos frutificar os dons que nos foram confiados e os
restituamos multiplicados ao Senhor.

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